Gravado Nas Rochas

Gravado Nas Rochas
Cientistas procuram no registro fóssil a verdade sobre nosso passado, mas que história este realmente nos conta?

O próprio Charles Darwin delineou o dilema central que se apresenta aos evolucionistas que esperariam encontrar suporte para a idéia de modificação gradual das espécies no registro preservado nas rochas. Darwin escreveu na Origem das Espécies: “O número de variedades intermediárias, que existiram anteriormente na terra deveria ser verdadeiramente enorme. Por que então não se encontram, cada formação geológica e cada estrato, repletos destes elos intermediários? Seguramente a geologia não revela nenhuma cadeia orgânica finamente graduada, o que é, talvez, a mais óbvia e grave objeção que pode ser levantada contra minha teoria”(1).
Um século depois, após décadas de escavações e pesquisas, as mesmas críticas ainda são válidas. Há uma notável ausência de formas transicionais no registro fóssil. O Professor N. Heribert-Nilsson, da Lund University, na Suécia, escreve: “Nem é possível fazer uma caricatura da evolução sem os fatos paleobiológicos. O material fóssil é agora tão completo que a ausência de séries transicionais não pode ser explicada pela escassez de material. As deficiências são reais, elas nunca serão preenchidas”(2).
Os reinos vegetal e animal são divididos em amplas categorias chamadas Filos. Cada filo ainda aparece no registro fóssil sem pistas de sua origem. O renomado evolucionista francês Pierre-P. Grasse afirma: “Pela quase completa ausência de evidências fósseis relativas à origem dos Filos, segue-se que qualquer explicação do mecanismo na evolução dos planos estruturais fundamentais é fortemente sobrecarregada com hipóteses. Isto deveria aparecer como uma epígrafe em todo livro sobre evolução. A ausência de evidências diretas leva a formulação de puras conjecturas como para a gênese dos filos, nós nem temos bases para determinar o quanto estas opiniões estão corretas”(3).
George Gaylord Simpson, professor de paleontologia de vertebrados da Columbia University, percebeu que todas as 32 ordens de mamíferos aparecem completamente desenvolvidas no registro fóssil. “Esta ausência regular de formas transicionais não é restrita aos mamíferos, mas um fenômeno quase universal, como vem sendo notado pelos paleontólogos”(4)
O problema é tão difícil de ser solucionado que uma escola de evolucionistas, liderados por Stephen J. Gould e Niles Eldredge, sentiram-se compelidos a desenvolver uma nova teoria evolucionária para lidar com as lacunas. Eles propuseram o “Equilíbrio Pontuado”, como explicação.
A teoria do Equilíbrio Pontuado considera a evolução invisível no registro fóssil. Uma suposta mudança da espécie A para a Espécie B teria acontecido em uma pequena população isolada geograficamente em um microssegundo geológico – um período muito curto para permitir que sejam depositadas formas fósseis intermediárias. Então, a nova espécie B poderia migrar a partir do seu lugar isolado de origem e se expandir por todo o território da espécie A. Numa escala de milhões de anos, os fósseis de B poderiam subitamente substituir os fósseis de A, dando a impressão de que B surgiu sem formas intermediárias. De acordo com o que o Equilíbrio Pontuado defende, esta ausência de formas transicionais é exatamente o que deveria ser esperado e, portanto, podem alegar que uma dada espécie de fato evoluiu de uma forma ancestral sem oferecer nenhuma prova a partir do registro fóssil. Mas uma teoria que não permite ser provada ou descartada a partir das evidências físicas, dificilmente qualifica-se como uma explicação científica adequada.
Uma das maiores dificuldades para aqueles que buscam suporte para a evolução no registro fóssil é que este registro é extremamente incompleto. Apenas umas frações das espécies que se imaginam terem existido estão representadas. David M. Raup, curador do Chicago's Field Museum e Steven Stanley, um paleontólogo da Johns Hopkins University, contam cerca de 130 mil espécies fósseis nos museus do mundo, comparado com uma estimativa de 1,5 milhões de espécies vivas. Eles calculam que 1 bilhão de espécies viveram desde o cambriano e, destas, mais de 99,9% não deixaram fósseis(5). É então muito difícil ver como os evolucionistas ousam falar com tanta certeza sobre as supostas relações de descendência entre espécies por bilhões de anos.
Uma razão para os evolucionistas serem cautelosos é que pela erosão e outros fatores, grandes partes de depósitos sedimentares onde o registro é envolvido estão faltando. O geólogo Tjeed H. van Andel estudou os arenitos do Cretáceo no Wyoming que durou 6 milhões de anos. Quando a quantidade de rocha que estava preservada foi comparada com a quantidade que fora depositada, de acordo com taxas aceitáveis de sedimentação, ele revelou um quadro surpreendente: a quantidade era apenas 2% da que deveria existir. Ao invés de 6 milhões de anos de rocha, havia apenas 100.000, o que significa que uma grande parte do sedimento que deveria estar lá (98%) foi perdido.
Van Andel descobriu que o mesmo estudo pode ser repetido em quase todo lugar, com o mesmo resultado(6). O que acontece é o seguinte: através de milhões de anos há um processo contínuo de erosão dos depósitos antigos e deposição de outros mais novos, resultando que apenas um pequeno fragmento do total é deixado no chamado registro das rochas. Pelo menos 90-99% dos depósitos sedimentares se foram para sempre.
Mais notável que a maior parte do registro rochoso estar perdido é o fato de que nós apenas arranhamos a superfície do que existe. O volume de depósitos sedimentares na superfície continental é de cerca de 134 milhões de milhas cúbicas. Por exemplo, se 100.000 paleontólogos fosse divididos com a tarefa de examinar apenas 1 milha cúbica de rocha, cada um deveria trabalhar 1.472.000 pés cúbicos. Caso todos trabalhassem 8 horas por dia, 365 dias por ano, a uma taxa de 1 pé cúbico a cada 10 minutos, levaria 84 anos para investigar uma milha cúbica daqueles 134 milhões.
Alguns evolucionistas podem argumentar que tudo isso explicaria por que não existem evidências fósseis suficientes para provar suas teorias, mas este tipo de raciocínio não pode ser aceito. É ridículo dizer que a teoria está certa por que a evidência não está presente e provavelmente nunca será encontrada. Realmente existem, sem dúvida muitos fósseis perdidos, mas não há razão para supor de antemão que eles poderiam sustentar a teoria evolucionista.
Evidências anômalas
Mesmo entre os fósseis já descobertos existe um grande número de anomalias que contradizem a corrente teoria evolutiva. A maneira com que os cientistas trataram estas evidências anômalas leva a conclusão que talvez eles não estejam sendo tão objetivos e imparciais na busca da verdade como querem que acreditemos.
Por exemplo, alguns pesquisadores reportaram o encontro de pólen de plantas superiores em estratos cujos procedimentos de datação revelaram ser extremamente antigos. Estes achados questionam toda a história convencional da evolução das plantas. Em um caso, um grupo de cientistas na Venezuela anunciou a descoberta de pólen de plantas com flores em formações rochosas do Pré-Cambriano, com datação esperada de 1,7-2 bilhões de anos atrás(7). Isto é um sério problema, por que, de acordo com a teoria corrente, as plantas com flores evoluíram recentemente, apenas a 100 milhões de anos atrás.
Para solucionar esta dificuldade, um grupo de cientistas decidiu que apesar das datas da rocha serem corretas, o pólen deve ter sido uma intrusão recente, mesmo que a entrada de pólen nestes depósitos desafie explicações simples. Um segundo grupo mantém que o pólen estava presente desde que a rocha se formara, mas concluem que a datação estava errada e que a rocha é de origem recente. Os dois grupos se contradizem em suas interpretações da evidência. O significado real disto é que ambos os grupos são compelidos a procurar saídas que evitem contradizer a história tradicional da evolução, com a qual são fortemente comprometidos.
Este não é o único caso no qual o pólen fóssil de plantas superiores foi encontrado em estratos pertencentes a eras em que estas plantas, de acordo com a teoria evolucionária corrente, ainda não poderiam ter evoluído. Por exemplo, o paleontólogo S. Le Clercq da University of Liege, na Bélgica, escreveu um artigo de revisão citando casos de evidências deste tipo(8).
Como os cientistas lidam com estas evidências? É claro que é possível para eles revisar sua teoria evolucionista para acomodar este material, mas isto seria um pouco embaraçoso e levaria tempo, já que os livros teriam que ser reescritos. Também seria possível para eles simplesmente apresentar sua teoria aceita e honesta e objetivamente indicar a existência e evidências e interpretações contraditórias. Podemos encontrar relatos dessas evidências e interpretações amplamente dispersas em artigos técnicos, mas em livros e apresentações populares essas evidências contraditórias simplesmente não são mencionadas. Assim, uma pessoa lendo estes relatos não teria a mínima idéia que essas evidências existem.
Vamos ao sítio arqueológico em Valsequillo, no sul do México. Lá, em 1962, a arqueóloga Cynthia Irwin-Williams escavou artefatos de pedra, incluindo pontas de lança, representativas de uma tecnologia usualmente associada com o homem moderno (Cro-Magnon) na Europa. Em 1972 e 1973, um time de especialistas em datação, incluindo geólogos do U.S. Geological Survey, usando várias técnicas de datação independentes descobriram que as camadas onde os artefatos foram encontrados possuíam cerca de 250.000 anos de idade.
Os artefatos de Valsequillo, portanto, apresentam grandes desafios para a visão aceita de evolução humana. A data é duas vezes mais antiga e coloca de forma anômala o homem antigo no continente errado.
No mínimo o achado deveria significar uma drástica reavaliação da história do homem no novo mundo. Os autores do estudo de datação disseram em artigo que eles estavam “penosamente conscientes que uma antigüidade tão grande é um dilema arqueológico”(10). Os autores sabiam o que queria dizer quando usaram a palavra penoso, por que eles encontraram uma recepção extremamente hostil de arqueólogos em todo o território nacional dentre os quais acusaram o grupo de arruinar a carreira da Dra. Irwin-Willians(11). Há de fato um dilema aqui porque imagina-se que o homem chegou ao novo mundo não antes de 12.000 anos, embora alguns estendam essa data para 30.000 anos atrás. A tendência da maioria dos cientistas para resolver este dilema é típica – o achado de Valsequillo simplesmente não é mencionado em livros tradicionais e em divulgações populares sobre evolução humana. Existem outros numerosos achados controversos da presença humana no novo mundo que são notáveis pela sua ausência em relatos tradicionais. Exemplos recentes incluem Calico Hills, na Califórnia, sítio com datação de 500.000 anos; o achado de Flagstaff, no Arizona (100.000/170.000 anos) e o achado de Mission Valley, em San Diego, Califórnia (100.000 anos)(12).
O tipo de omissão que se pode encontrar ao promover um ponto de vista arqueológico não ortodoxo é ilustrado pelas escavações em Sheguiandah. Neste sítio próximo ao lago Huron, no Canadá, Dr. Thomas Lee, o diretor do National Museum of Canada, descobriu ferramentas de pedra que geólogos dataram com 150.000 anos de idade. Pelo conselho de um especialista, Dr. Ernst Antevs do Arizona, Lee apresentou uma datação mais baixa, de 30.000 anos. Mas mesmo esta era muito elevada para os tradicionalistas que aderem fortemente a própria datação de 12.000 anos como o limite máximo para a presença humana na América do Norte. Lee escreveu no Anthropological Journal do Canada: “O descobridor do sítio foi acossado de sua posição de servidor civil para um desemprego prolongado, as publicações foram canceladas, a evidência sub-representada por vários autores proeminentes entre os Brahmins [a tradição científica]; as toneladas de artefatos desvaneceram em caixas de estocagem do National Museum of Canadá; por se recusar a demitir o descobridor, o diretor do National Museum (Lee), que havia proposto publicar uma monografia sobre o sítio, foi ele mesmo demitido e levado ao exílio. Sheguiandah teria forçado a admissão embaraçadora que os Brahmins não sabem tudo. Teria forçado a reescrita de quase todo livro no mercado. Isto tinha que ser destruído. Isto foi destruído”(13).
O achado controverso de Reck
Ao considerar evidências da extrema antigüidade do homem moderno, deve-se notar que a extensão de seus desafios para a visão tradicional é equivalente ao grau de veemência com que os partidários do evolucionismo tendem a rejeitá-la. Um exemplo dessa controvérsia foi o achado feito em 1913 pelo Dr. Hans Reck na famosa Garganta de Olduvai, no leste da África.
Dr. Reck descobriu um esqueleto de homem moderno em um estrato que o faz contemporâneo com os homens de Pequim e Java, supostamente ancestrais distantes do Homo sapiens. Este achado inspirou muita controvérsia, mas quando o famoso Louis Leakey visitou o sítio em 1931 com Reck, ele concluiu que o esqueleto tinha pelo menos meio milhão de anos(15).
Opositores continuaram a argumentar que este era um enterramento intrusivo, um homem de origem recente enterrado num antigo estrato. Mas Reck insistiu que havia tomado os cuidados adequados para descartar essa interpretação. O estrato acima do esqueleto não fora perturbado, ele dizia. Mas outros investigadores afirmaram que haviam achado materiais de estratos superiores na matriz rochosa onde o esqueleto estava incluso. Em face ao testemunho conflitante, Reck e Leakey retiraram suas alegações.
Em 1973, Dr. Reiner Protsch do Departamento de Biologia e Antropologia da J. W. Goethe University, em Frankfurt, Alemanha, apresentou um artigo sobre a datação rádio-carbônica do esqueleto descoberto por Reck. Uma vez que o crânio foi considerado muito valioso para ser destruído durante o processo de datação, Prostsch, procurou usar outros ossos. Infelizmente, todo o esqueleto, com exceção do crânio, havia misteriosamente desaparecido do Museu de Munique, onde era mantido! Algumas porções fragmentadas de vértebras, costelas e ossos longos foram posteriormente postos em cena, supostamente pertencentes ao esqueleto original completo. Como precaução, tanto o crânio quanto os fragmentos foram testados para avaliação do conteúdo de nitrogênio, procurando verificar se eles realmente pertenciam ao mesmo esqueleto. Os resultados do teste foram suficientemente similares para não descartar esta possibilidade. A datação rádio-carbônica subseqüente forneceu uma idade de 17.000 anos para os ossos, o que, de acordo com Protsch, significa que o esqueleto fora sepultado em uma cova escavada a partir de uma superfície na camada 5 da Garganta de Oldiuvai(16). Esta foi entendida como a prova final de que o esqueleto descoberto por Reck era um sepultamento intrusivo e muito mais novo do que se pensava originalmente.
Mas o cientista A. Tindell Hopwood observou no sítio um depósito calcáreo entre a base da camada 5 e a camada inferior 2, no qual o esqueleto fora encontrado. Caso o esqueleto tenha realmente sido enterrado a partir da superfície no correspondente ao meio da camada 5, atualmente, a sepultura teria que ser cavada através do depósito de calcário. Considerando a dureza do calcáreo, Hopwood notou que os escavadores africanos “trabalhando com pesados pés-de-cabra, não conseguiram cavar um buraco de 2 metros quadrados e 91 centímetros de profundidade através de material similar, mesmo após dois dias de trabalho”(17).
A questão toda permanece problemática. Temos o testemunho original de Reck de que não era um sepultamento intrusivo, apesar das tentativas de se provar o contrário. Mas sob uma análise mais detalhada parece que as refutações são menos herméticas, deixando aberta a possibilidade de que as observações originais de Reck sobre o posicionamento do esqueleto e sua idade eram corretas. É notável que o quadro da natureza e origem do homem, que obtemos da ciência moderna é amplamente baseado em evidências e linhas de raciocínios tão questionáveis e amadores como estas.
Louis Leakey foi envolvido em outros achados indicando a presença do Homo sapiens em estratos muito antigos. Um exemplo é sua descoberta da mandíbula de Kanam, na camada (01) mais inferior, da Garganta de Olduvai. Esta mandíbula foi inicialmente aceita como pertencendo ao Homo sapiens por um comitê de 27 experts os quais concordaram que a mesma pertencia ao Pleistoceno Inferior(18). Isto significaria uma idade ao redor de 2 milhões de anos, contemporânea ao Homo habilis e Australopitecus robustus.
Infelizmente, quando o Prof. Boswell, que também se envolvera na controvérsia do esqueleto de Reck, desafiou os argumentos de Leakey, este não conseguiu localizar novamente o local exato onde fora feito o achado. Como resultado, o achado foi desacreditado perante os arqueólogos embora Leakey insistisse que seu artigo original era correto(19).
Considerando o tratamento do esqueleto descoberto por Reck e a mandíbula de Kanam, é interessante notar que os padrões impostos para a aceitação de evidências que contradizem as visões correntes parecem ser rígidos do que os padrões para aceitação de evidências que concordam com estas visões. Considere, por exemplo, o crânio de Petralona, que foi achado na Grécia. Este crânio parece ser um intermediário, próximo em sua forma, entre o tipo de crânio do Homo erectus e do Homo sapiens. É sugerida uma datação ao redor de 200.000-300.000 anos e é aceito como uma evidência da evolução humana por autoridades como John Gowlett, chefe do laboratório de datação rádio-carbônica em Oxford.
Quão sólidos são os fatos indicando a idade deste crânio? John Gowlett fornece a seguinte informação: “Os achados foram descobertos inicialmente não por arqueólogos, mas por pessoas locais que não fizeram registros. Alguns relatos falam de esqueletos, e também de crânios, mas nenhuma evidência foi produzida. Mesmo a posição estratigráfica exata do crânio tem sido debatida”(20). Se o crânio de Petralona tivesse que seguir as mesmas regras aplicadas à mandíbula de Kanam descoberta por Leakey ou ao esqueleto de Reck, é altamente duvidoso que este sequer poderia ser aceito como evidência para a evolução humana.
Homem Moderno, estrato antigo
Há evidências da existência do homem moderno mesmo em períodos mais antigos do que aqueles representados pelo esqueleto de Reck e a mandíbula de Kanam. O crânio de Castenedolo é um exemplo. Foi descoberto em 1860 em Castenedolo, Itália, pelo Prof. Ragazzoni, um perito em geologia, em um extrato do Pleistoceno. Isto significa que os restos, se realmente depositados neste extrato, possuem de 2-7 milhões de anos de idade. Posteriormente, em 1880, os remanescentes de duas crianças e uma mulher foram encontrados próximos no mesmo nível.
Inevitavelmente foi sugerido que os esqueletos deveriam ter alcançado suas posições no extrato Pleistoceno como resultado de um sepultamento intrusivo. Todavia, o Prof. Giuseppe Sergei, que investigou estes achados, escreveu em 1921 que o fato de os esqueletos estarem incompletos e com seus ossos dispersos no extrato descarta a possibilidade de enterramento. Também não havia mistura de materiais de níveis superiores, como se poderia esperar se um buraco fosse cavado. Após um período inicial de controvérsia, os achados de Castenedolo foram ignorados pelos cientistas que escrevem a evolução humana.
O eminente evolucionista britânico, Sir Arthur Keith, escreveu em relação a Castenedolo e achados de natureza similar: “Estivessem estas descobertas em acordo com nossas expectativas, se elas estivessem em harmonia com as teorias que formamos considerando a datação da evolução humana, ninguém sequer sonharia em duvidar delas, muito menos rejeitá-las”(21).
A evolução realmente aconteceu?
Combinando a evidência da existência em tempos modernos de humanos primitivos ou formas próximas aos humanos modernos, com a evidência da existência de homens modernos a 2 milhões de anos atrás, desenha-se um quadro muito diferente do cenário evolutivo tradicional. A simples interpretação disto seria que os seres humanos como conhecemos teriam coexistido com várias formas quase humanas por milhões de anos e não existiria indicador real de qualquer transformação evolucionária de um em outro.
Até aqui consideramos vários pedaços e fragmentos de evidências que foram ignoradas ou rejeitadas pelos cientistas, mas inicialmente apresentadas em jornais científicos. Em adição a estas evidências anômalas e respeitáveis, podemos, com toda a honestidade, rapidamente notar uma ampla categoria de evidências que mais intensamente violam os sistemas teóricos da ciência moderna. Estas evidências incluem registros de restos humanos e artefatos encontrados em minas de carvão e, mais geralmente em extratos muito anteriores a suposta aparição do homem. Evidências assim foram reportadas freqüentemente em periódicos científicos como Nature e Scientific American. Aqui vamos dar um exemplo dentre os muitos existentes na literatura.
Em junho de 1852 a Scientific American apresentou um pequeno artigo sobre um vaso metálico que foi retirado de uma “imensa massa rochosa” em Dorchester, Massachusetts. O artigo dizia: “A escultura e incrustação foram belamente feitas pela arte de algum artesão hábil. Este vaso curioso e desconhecido foi dinamitado de uma sólida massa de rocha, quinze pés abaixo da superfície” (21). De acordo com sondagens geológicas, a massa de rocha em Dorchester é pré-Cambriana (pelo menos 600 milhões de anos). Isto dataria o vaso decorado em um período anterior a suposta origem dos vertebrados... o que falar das origens humanas!
Dar valor a esta evidência extremamente anômala sugere que seres humanos ou inteligências comparáveis podem ter deixado seus traços no registro rochoso mesmo em extratos antigos associados, no pensamento científico moderno, com os estágios evolutivos mais antigos. Não podemos dizer que esta evidência constitui prova decisiva disto, aliás, fatos não falam por si — eles são aceitos ou rejeitados dentro de um sistema de idéias estabelecido pela sociedade humana. O problema é que na sociedade humana sistemas estabelecidos de idéias tendem a determinar o que pode ser aceito como evidência. Nós mostramos que os cientistas ligados a teoria da evolução tendem a rejeitar instantaneamente qualquer evidência que contradiz a teoria.
Nossa discussão de evidências paleontológicas talvez tenha maior suporte nas falhas gerais do processo empírico do que sobre qualquer teoria evolucionária específica. Inicialmente estamos lidando com um objeto em que o dado básico, o registro das rochas, em si é extremamente fragmentário. Portanto, se alguém vai delinear uma conclusão emprírica, é forçado a especular extensivamente para preencher os vazios. Segundo, como mencionamos, os fatos básicos no registro rochoso não falam por si, mas têm de ser interpretados e esta interpretação depende fortemente da natureza das visões existentes. Isto encoraja os pesquisadores a tentar estabelecer um quadro final baseado em evidências fragmentárias e então, procurar mantê-las contra todas as visões opostas.
Isto então leva a uma dupla situação. Evidências favorecendo a visão estabelecida são aceitas mesmo não sendo firmes, e evidências opondo-se esta visão tendem a ser rejeitadas, mesmo se a contestação é frágil. Todos estes fatores tornam difícil estabelecer a verdade sobre a origem e a antiga história do homem. Se alguma coisa pode ser deduzida das evidências presentes é que, ao contrário do quadro apresentado em todos os livros e textos populares, é completamente enganoso apresentar o cenário evolucionário atual como um fato estabelecido.

Referências:

1. Charles Darwin, The Origin Of Species (New York: Macmillan, 1962), p. 308.
2. N. Heribert-Nilsson, Synthetische Artbildung (Gleerup, Sweden: Lund University, 1954).
3. Pierre-P. Grasse, The Evolution Of Living Organisms (New York: Academic Press, 1977), p. 31.
4. George Gaylord Simpson, Tempo And Mode In Evolution (New York: Columbia University Press, 1944), p. 107.
5. David M. Raup and Steven Stanley, Principles Of Paleontology (San Francisco: W. H. Freeman Co., 1971), p. 11.
6. Tjeerd H. van Andel, "Consider the Incompleteness of the Geological Record", Nature, Vol. 294 (December 3, 1981), pp. 397--398.
7. R. M. Stainforth, "Occurrence of Pollen and Spores in the Roraima Formation of Venezuela and British Guiana", Nature, Vol. 210, n. 5033 (April 16, 1966), pp. 292--294.
8. S. Le Clercq, "Evidence of Vascular Plants in the Cambrian," Evolution, Vol. X, n. 2 (June, 1956), pp. 109--114.
9. Peter Beaumont, Hertha de Villiers, and John C. Vogel, "Modern Man in Sub-Saharan Africa Prior to 49,000 Years B.P.: A Review and Evaluation with Particular Reference to Border Cave," South African Journal Science, Vol. 74 (November 1978), 409.
10. Virginia Steen-McIntyre, Roald Fryxell, and Harold E. Malde, "Geologic Evidence for Age of Deposits at Hueyatlaco Archeological Site, Valsequillo, Mexico," Quaternary Research, Vol. 16 (1981), p. 15.
11. Jeffrey Goodman, American Genesis (New York: 24. "Relic of a Bygone Age", Scientific American, Vol. 7 (June 5, 1852).(Berkley Books, 1982), p. 114.
12. Jeffrey Goodman, American Genesis, p. 112.
13. Thomas E. Lee, editorial comments on "On Pebble Tools and Their Relatives in America," George F. Carter, Anthropological Journal of Canada (1966), pp. 18-19.
14. Alan Lyle Bryan, "An Overview of Paleo-American Prehistory from a Circum-Pacific Spectrum," Early Man in America, Alan Lyle Bryan, ed. (Edmonton, Alberta: Archaeological Researches International, 1978), pp. 318-327.
15. L.S.B. Leakey, Arthur T. Hopwood, Hans Reck, "Age of the Oldoway Bone Beds, Tanganyika Territory", Nature, Vol. 128, n. 3234 (October 24, 1931), 724.
16. Reiner Protsch, "The Age and Stratigraphic Position of Olduvai Hominid I", Journal of Human Evolution, Vol. 3 (1974), pp: 379-385.
17. A. Tindell Hopwood, "The Age of Oldoway Man", Man, No. 226 (August 1932), p. 194.
18. Sir Arthur Smith Woodward, et. al. , "Early Man in East Africa", Nature (April 1, 1933), pp. 477-478.
19. L.S.B. Leakey, "Fossil Human Remains from Kanam and Kanjera, Kenya Colony", Nature (Oct. 10, 1936). p. 643.
20. John Gowlett, Ascent to Civilization (London: William Collins Sons Co Ltd, 1984), p. 87.
21. Sir Arthur Keith, The antiquity of man (London: Williams and Norgate, 1920), p. 473.

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