Montando Seu Altar

Montando Seu Altar
Por Giridhari Das


Quem é o Senhor Jagannatha?
Uma das formas ilimitadas que o Senhor aceita é a da Deidade, tecnicamente chamada de arca-vigraha. Em nosso estado condicionado perdemos nossa capacidade natural de ver, tocar, cheirar, sentir, etc. aquilo que é transcendental. Conseguimos apenas ter essas experiências com a energia inferior de Deus, Sua energia material. Por isso, sendo todo misericordioso, Deus aceita uma forma composta de Sua energia material (na forma de pedra, metal, tinta, etc.) para que mesmo em tal condição podemos nos relacionar com Ele diretamente em Sua forma pessoal. A Deidade assim deixa de ser matéria, deixa de ser uma estátua ou pintura, e passa a ser uma forma transcendental do Senhor, apesar de manter as características de uma criação material. Sem Sua forma arca-vigraha, e sem já estar na plataforma transcendental liberada, limitamos muito nossa oportunidade de nos relacionar com Deus na plataforma pessoal, Seu supremo aspecto (Bhagavan). A adoração da Deidade, portanto, é a oportunidade de se situar na plataforma transcendental de serviço amoroso ao Senhor, de realizar importantes aspectos inerentes ao relacionamento amoroso entre duas pessoas, como alimentar, tocar, presentear, cuidar, etc. Praticar vida espiritual significa justamente isso – praticar vida espiritual! Significa fazer aqui e agora aquilo se faz no estado espiritual puro almejado. Aquele que ignora sua individualidade e a existência individual de Deus e almeja a plataforma Brahman, onde nada se faz, nada se pensa, nada se deseja e apenas “é”, pratica então nada fazer, nada pensar, nada desejar e apenas “ser”, e assim avança espiritualmente. Aquele que compreende sua individualidade eterna e a existência de Deus em tudo e todos, querendo assim entrar em total comunhão com o aspecto divino da realidade a sua volta, faz exatamente isso ao fixar sua consciência na Superalma, e assim avança espiritualmente. E aquele que compreendeu sua individualidade eterna e o aspecto pessoal de Deus, querendo assim apenas viver um relacionamento amoroso infinito e eterno com o Senhor Transcendental, faz exatamente isso ao relacionar-se com Ele pessoalmente, chamando-O, alimentando-O, tocando-O, presenteando-O, cuidando dEle, etc., e assim avança espiritualmente. Portanto a adoração da Deidade é uma prática natural e importante no processo de nos re-estabelecermos em nosso eterno e amoroso relacionamento pessoal com Deus, bhakti-yoga, e, exatamente por isso, causará estranheza para aqueles que são materialistas e/ou estão buscando outras metas transcendentais. Existem variados graus de complexidade na prática de servir a Deidade. É bom deixar esse tipo de prática para depois de já termos uma compreensão básica do conhecimento transcendental e estarmos praticando o cantar dos santos nomes e a leitura dos textos sagrados regularmente sem falta. Em seu aspecto mais simples, podemos obter um quadro ou pôster do Panca-Tattwa, e/ou uma imagem ou foto de Krishna e Radha, junto com uma foto de Srila Prabhupada e, todos os dias, uma ou duas vezes por dia, no mesmo horário, oferecer um incenso, uma flor (perfumada) e água, cantando o maha-mantra Hare Krishna (ou tocando uma gravação de um kirtana) e prestando reverências (tocando nossa cabeça ao chão), antes e depois de sua oferenda. Novamente, como no caso de oferecer prasadam, o que importa é o amor e devoção do ato, não o ritual em si. Lembre-se que tudo que for oferecido para a Deidade, torna-se prasadam, ou seja, misericórdia do Senhor, e trará benefícios espirituais eternos para aqueles que tiverem contato posterior com o objeto oferecido, seja através do cheiro (no caso do incenso e flores), seja através do consumo (no caso de alimentos e água), ou até mesmo pelo simples contato físico com aquilo que foi oferecido (é habitual jogar gotinhas de água oferecida na cabeça). Como no caso dos alimentos, tudo que for oferecido deve estar limpo e ainda não experimentado e a parafernália usada para a Deidade deve ser de uso exclusivo dEla. Por exemplo, o incenso e flores não devem ter sido cheirados antes de oferecê-los, o isqueiro para acender o incenso deve ser usado só para a Deidade, etc.

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